Relacionamento amoroso: A Jornada para a Plenitude


Um grande amor não existe pronto, ele se constrói.

O sentido da vida é o homem se tornar um ser inteiro, reunir em si próprio o que foi separado, individualizar-se para atingir os potenciais que possui.

O relacionamento amoroso proporciona uma dinâmica privilegiada para o desenvolvimento das pessoas. O verdadeiro casamento é gerador de vida, de desenvolvimento, riqueza de vivências, transformador, promove crescimento e não mero status. Ele pode ser um caminho enriquecedor quando proporciona a individuação.

Entende-se como individuação a realização melhor e mais plena das qualidades individuais e coletivas do ser humano, levando em consideração a necessidade do outro. Esse processo é a busca da nossa harmonização com a parte divina que habita no interior de cada um de nós. Diferente do individualismo (muitas vezes confundido) que é busca da satisfação somente para si, sem levar em conta o outro. A relação só pode ser madura e atingir a plenitude quando os dois estão inteiros e não acreditam ser metade um do outro.

Muitos casais estão em fase simbiótica, ou seja, ambos sentem a necessidade um do outro para a sobrevivência. Quando isso ocorre não é possível desenvolver o amor, pois no amor subentende-se que um possa viver sem o outro. O amor não aprisiona, ele é livre, solto e tem confiança.

A paixão é o primeiro estágio do relacionamento, aquela vivência intensa e simbiótica onde os parceiros correspondem aos desejos, sonham e se satisfazem por completo. Nesta fase é comum a idealização do outro, como se ele ou ela não tivessem defeitos. São perfeitos aos nossos olhos. É nesse momento que ocorre a projeção, isto é, projetamos no outro o nosso parceiro ideal, que na realidade só existe dentro de nós. Inclusive, a pessoa por quem nos apaixonamos tende a ser extremamente diferente daquilo que enxergávamos no primeiro momento. Com o passar do tempo, inevitavelmente cairá os véus da ilusão, pois não há paixão que resista ao convívio, em uma hora ou outra será irremediável se confrontar com a realidade.

É na complicada e delicada transição da paixão para o amor que pode surgir o amor profundo e real. Quando ambos estão dispostos a abrir mão das idealizações que projetou no outro, poderão conviver com um companheiro real e humano, com toda a sua luz e toda a sua sombra. O verdadeiro encontro humano só acontecerá quando enxergar o outro na sua peculiaridade, livre das projeções, aceitando-o por inteiro.

A passagem da paixão ao amor se dá na ordem do tropeço, não é possível controlar, ou tentar reter aquilo que sempre teve. A relação a dois está em constante movimentação e é isso que faz o encontro amoroso ser saudável, quando é possível a transformação.

Uma pessoa que olha para outra com amor, sem querer possuí-la, não está mais submetido a uma relação vazia de objeto e posse. Um ser inteiro desperta no outro a possibilidade de reconhecer o ser inteiro que também é.

Portanto, o amor entre um casal pode ser extremamente motivador a desenvolver sentimentos nobres e vivências profundas para o desenvolvimento do ser. A sacralidade da união pode ser vivida de forma criativa, regando o casamento com cuidado, dedicação para que então surja uma relação plena e cheia de felicidade.

 

Data da publicação no site do Renascimento 03/05/12