Afinal, o que é um relacionamento amoroso saudável?


Embalado pela música de Chico percebemos que a paixão começa ao acaso, somos interceptados por ela, não é mesmo?

Quanto tempo será que ela dura? E o que vem depois da paixão?

Na paixão a vivência é tão intensa, pois criamos uma forte empatia e assim cada parceiro desempenha os sonhos e desejos que o outro espera. Portanto, o indivíduo ainda não está atuando com a sua verdadeira essência, mas procurando corresponder às expectativas do outro. Projetam no seu par amoroso seus conteúdos internos, ainda desconhecidos. Essa fase de encantamento é importante para construir um relacionamento saudável e maduro, mas para ocorrer o crescimento da relação é preciso mais que isso, é fundamental se ver e deixar ser visto.

Deixar ser tocado pelo outro, ser alcançado, permitir que o outro tenha acesso à tua vida, à tua história, permitir o atrito e o confronto de duas verdades. Estar com alguém é se defrontar com o outro diante de si, o nos faz reagir e evoluir. Face-a-face podemos olhar, no olhar do outro, a verdade de nossos próprios sentimentos e com isso podemos conhecer a nós mesmos.

O conhecer passará involuntariamente pelo autoconhecimento, pelo reconhecimento mútuo: cada instante é uma nova descoberta. A busca do amor é estar aberto, receptivo ao outro e a si mesmo.

Para ter um verdadeiro relacionamento é preciso que aconteça o encontro de dois seres inteiros. Ocorre a aliança, não a mistura. Não ficar rendido ao desejo da fusão, de se tornar único, ficar grudados empobrece a ambos. Podemos crescer e conquistar um relacionamento de comunhão, caminhando lado a lado.

E você consegue perceber que tipo de relacionamento você tem ou já teve?

Temos sede, carregamos um vazio existencial e ficamos a espera que algo venha preencher esse buraco: a famosa carência. A carência induz ao erro, desejosos por agradar a quem poderia saná-la, ficamos vendidos ao mundo de aparência, afastando-nos de nós mesmos. Ficamos fixados na carência e perdemos o outro da nossa visão. Quanto mais dolorosa e persistente for nossa carência, tanto maior será o poder atribuído ao outro que nos alivie dela. Como então não se prostrar a carência? O que eu acredito é que a pessoa deve procurar se abastecer de si, de tudo que é capaz de realizar e produzir. Esteja inteiro consigo mesmo! Jean-Yves Leloup afirma que a felicidade começa quando deixamos de exigir ao outro que nos torne felizes.

Então como não cair na armadilha de buscar no outro o preenchimento do nosso vazio? Acredito que o caminho seja aceitar a nossa incompletude e nos dedicarmos as nossas conquistas e realizações, se empenhar no prazer e a alegria que somos capazes de vivenciar, independentemente do outro, assim podemos deixar a leveza, a sutileza e o encanto permear a vida sem o peso da cobrança e sem a agonia de “eu tenho que”, “você tem que”.

Viva agora e acredite: você tem tudo aquilo que precisa!

Saia da posição de expectador e assuma o seu papel, seja o ator principal, e se permita sentir todos os prazeres e desprazeres inerente a vida. Invente e reinvente sua história independente do outro. Seja para você a companhia agradável que deseja ter e, assim, não será preciso buscar borboletas.

Cuide do seu jardim, as borboletas virão para embelezar aquilo que já é belo por natureza. Plenos de nossa vida, deixamos de solicitar ao outro que a preencha.

Que em sua vida você consiga se abastecer da fonte inesgotável do amor, que consiga criar relacionamentos fecundos, igualitários, reconhecendo a sua verdade e a verdade que o outro carrega em si e que, juntos, trilhem um caminho onde as duas almas possam se exprimir livremente, confortavelmente e encontrar a grande alegria que é ser pleno em si e integrado com o Todo.

Data da publicação no site do Renascimento 03/10/12