Dar o Troco...até que ponto?


Esse título me faz refletir sobre algumas questões: Por que, muitas vezes, temos a vontade de devolver para a pessoa o mal que acreditamos ter sofrido? A resposta surge rapidamente: porque essa pessoa precisa pagar pelo que fez! Ei, mas espera aí...  será que cabe a nós sermos os justiceiros?

Alguém pode se sentir injustiçado por ter sido mandado embora do trabalho e acreditar que a maledicência dos funcionários foi a causa da sua demissão e pode pensar: “aquele grupo fez uma conspiração contra mim”, ou no caso de uma traição no casamento e etc. Aí gastamos um tempo considerável arquitetando mentalmente um plano de vingança (que pode ser realizado ou não). Mas a questão é: 

Por que acreditamos que o outro é o causador da nossa desgraça e por isso ele “deve pagar”?  Percebe que essa forma de pensar denota falta de maturidade em lidar com o problema e que automaticamente nos descomprometemos das nossas responsabilidades quando culpamos o outro pelo “mal” que nos atingiu?

Quando classificamos que o outro errou e precisa pagar pelo mal cometido, nos colocamos em uma postura inicialmente de julgadores, agindo com forte intolerância e desconexão conosco mesmo. Vou explicar melhor.

Julgador por acreditar que tem a verdade absoluta e, portanto pode descriminar o que é o certo do errado. Claro que podemos usar critérios próprios, condutas éticas para a nossa vida, isso é saudável e honesto, mas transpor os limites pessoais e querer impor ao outro o que deve fazer, isso já é uma conduta ditadora.
Intolerante, pois ao recriminar ferozmente a atitude do outro, não há espaço para a compaixão. Lembre-se, o que fazemos com o outro só é um espelho do que fazemos conosco. Identifique se não se tornou seu próprio carrasco, avalie como lida com seus erros e se é generoso com você.

A desconexão consigo acredito ser a maior causadora da vontade de “dar o troco”, porque ao pensar em devolver o mal que sofreu para a pessoa originária da “desgraça”, selecionamos um “bode expiatório” dos nossos problemas e nos ausentamos da responsabilidade. Já parou para pensar sobre a lei de causa e efeito? Muitas vezes buscamos a explicação no fato em si e deixamos de olhar para dentro de nós e encontrar o que a nossa alma está emitindo e, por consequência, atraindo. Que tal olharmos para os fatos da vida somente como um cenário e tudo está acontecendo de acordo com as nossas necessidades? Quem sabe assim paramos de buscar os porquês (que só nos mantém com justificativas racionais) e encontremos os “para ques” (que pode nos ajudar a ampliar a consciência).

erceba que a atitude de vingança não te livra do problema, pior, só te liga ainda mais na situação. Mantém uma energia estagnada, estanque embasada na crença “olho por olho, dente por dente” a qual te conecta energeticamente com todas as pessoas que desejam se vingar e, portanto devolver o mal que recebeu. O desejo da vingança te mantém vinculado a uma rede invisível que vibra no anti amor. O objetivo da vingança é a destruição, machucar e ofender. Além de não perdoar o outro, você se prende junto a essa situação não compreendida. 

O que está vinculado com a vontade de dar o troco é o não perdão. Pode até ser que não faça nada concretamente, mas emite um pensamento “Deus é justo, essa pessoa terá que pagar as contas com ele”.

Veja que ainda o mantém em uma postura hostil em relação a situação e deseja, lá no fundo, que a pessoa pague. Não perdoar já é um ato de autoagressão, pois te nutre de sentimentos destrutivos que acabam com a sua saúde e a paz e ainda rouba o seu tempo de investir em caminhos mais suaves e gentis.
Por mais que alguém possa buscar alívio na vingança, o outro, ao ser punido, muda em alguma coisa o fato vivido? Será que a história poderá ser revertida? Sabemos que não. Não se altera o que passou. O que podemos e devemos fazer é mudar o nosso olhar. Se entregar na corrente da vingança é ter mais um problema para resolver, o que nos leva a pergunta: será que a vingança gera alívio ou culpa?

Diga não a intolerância! Invista no seu bem estar! Dedique seu tempo naquilo que seja produtivo para você. Trabalhe para liberar esses sentimentos que bloqueiam a sua felicidade, pois no fundo, tudo tem um motivo para acontecer, por mais que não consigamos achar coerência no momento.

Filtre suas emoções, se algo aconteceu e te feriu, investigue internamente o que essa situação pode te ajudar a ser uma pessoa melhor. A dor, quando usada para libertar a alma da dureza, ajuda a pessoa a transcender, se liberar e despertar para uma realidade mais amorosa e natural.

“A ira do homem não promove a justiça de Deus”
(Apóstolo Paulo de Tarso)