Por que não viver com expectativas?


Você, assim como eu, já deve ter ouvido muitos alertas para tomar cuidado com essa bendita expectativa, mas, mesmo assim, vive criando uma?

Se você compartilha desse problema comigo, então esse artigo é para ti!

Veja só: 15% do que passa na nossa mente é consciente, porém 85% da nossa programação - a esmagadora maioria - está no nosso inconsciente. Nesse iceberg submerso estão arquivadas nossas crenças e todo histórico de vida que não temos controle. Há um arsenal de informações inconscientes que estão o tempo todo nos influenciando.

Quando surge algo em nossa vida que queremos muito, logo ficamos entusiasmados. Só que não contávamos com as astúcias do infalível inconsciente que insiste em desconsiderar o real e criar fantasias, parecido com o projetor de cinema. A tela em branco nesse caso é a pessoa ou a situação, e o filminho projetado são as nossas idealizações que vêm lá das profundezas do nosso inconsciente.

Essa história de expectativa começa lá de trás...

 

Quando nós percebemos indivíduos, separado do outro, vem o sentimento de separação. Como esse sentimento é muito desconfortável, não suportamos lidar com a angústia e buscamos aplacá-la na fusão com o outro na tentativa de liquidar essa dor.

Quando nos apaixonamos queremos atender aos nossos próprios desejos, pois ainda não vemos o outro. Estamos cegos. A paixão é egoísta, só vemos os nossos próprios desejos.

A paixão e as expectativas andam de mãos dadas. Na ânsia de nos livrarmos do sofrimento causado pela separatividade, projetamos nossos sonhos que não estão resolvidos dentro de nós no ser pelo qual nos apaixonamos.

Por isso que é tão comum projetar no parceiro amoroso questões ainda não resolvidas da nossa própria vida. Em geral, essas projeções são traumas da infância. Esse mecanismo ocorre porque existe uma esperança mágica de que desta vez seja diferente em relação às cenas traumáticas de quando era criança. Repetimos situações porque inconscientemente desejamos fervorosamente curar a ferida ainda aberta. Um sistema para tentar reparar o passado.

Só que ao viver com expectativas todos perdem.

A expectativa rouba de nós a experiência do real, tira das nossas mãos a possibilidade de receber algo até muito melhor do que esperávamos.

A realidade tarda mas não falha. Cedo ou tarde, a bolha que nos blindava do mundo real estoura e o impacto com a realidade é proporcional ao distanciamento dela. Só quando há um sentimento genuíno entre o casal consegue-se superar as desilusões e estabelece-se um vínculo de compaixão, oferecendo força mutuamente para que o melhor de cada um se manifeste.

A expectativa pode acontecer em vários setores da vida: no trabalho dos sonhos, no plano maravilhoso de carreira, na família “Doriana”, no relacionamento afetivo hollywoodiano, na busca da vida espiritualizada que te livraria dos problemas mundanos e na viagem que pouparia a sua relação desgastada com sua família. Somos mestres em criar fantasias!

É necessário investigar o tempo todo os porquês de escolhermos determinado caminho - o velho e bom caminho do autoconhecimento.

 

  • Se há algo na sua vida que não está te fazendo feliz, mas você tem esperança de melhorar deixando o tempo fazer o trabalho dele: Duvide, pois esse pensamento é uma roubada;
  • Se você faz concessões: Isso também é uma armadilha. Ceder mina a sua força!;
  • Se você espera que amanhã será melhor do que hoje mantendo as mesmas ações: Putz, isso não vai dar certo não! Esperar por algo destrói a capacidade de atuar na realidade;

 

Pensamentos com base na espera do amanhã nos desconectam da realidade e nos jogam lá no sonho, fazendo-nos viver em uma vida de fantasia e achando que, quando chegar lá, será muito feliz!

Gente, ALERTA VERMELHO!!! Lá não existe. O caminho precisa ser gostosinho. A felicidade é o caminho e não o fim.

Ficamos tão aprisionados nesse projeto de vida feliz, obcecados pela cartilha na qual acreditamos, que contenha a rota da felicidade e, dessa forma, negamos o que temos aqui e agora.

Qual a saída para romper a bolha da ilusão? Veja as evidências.

 

Se o bicho da expectativa também te mordeu, perceba qual o seu caso:

1. Idealização do projeto: o real é insuficiente.

Existe um sentimento constante de falta. O que se apresenta na vida não é o suficiente.

A pessoa tende a não absorver os prazeres dos momentos porque vive no ideal e não no real. Fica fechado para receber carinho, ajuda, porque nada será tão perfeito como o que foi criado em sua mente e, por isso, não aproveita o que está acontecendo. Fica em uma constante busca e não relaxa.  

Neste caso, vale a pena a pessoa rever e questionar o projeto de vida perfeita e redefinir o que realmente a faz feliz.

Um bom caminho é se abrir e permitir ser tocado. Entregar-se para a realidade, pois ela é encantadora. Cada pessoa que surge em nossa vida tem um mundo único. Toda pessoa é uma mensagem e cabe a nós aprendermos a ler. Aceite e receba o que está na sua vida e desfrute dos bons momentos. Relaxar, soltar as tensões e aprender a brincar. Um ótimo mantra para ser feito é “está tudo certo, não tem nada errado”.

 

2. Encaixar o real no pacotinho idealizado.

Pessoas sonhadoras tendem a ter um projeto de vida tão romântico que se desplugam da realidade e brincam de faz de conta. Desconsideram as evidências, negam a realidade, ficam cegas para não terem que lidar com o real, pois a realidade não condiz com a sua fantasia. Esperam magicamente que a situação possa melhorar. Cedem com facilidade com a finalidade de encaixar a situação em sua utopia. Essas pessoas podem ficar nesse sofrimento “sorrindo”.

O melhor é ficar com alguém por escolha e não porque se sente acorrentado por ela. Crie suas metas e faça você mesmo a sua vida acontecer.

Quanto menos ilusão, menos desilusão! Ação é o um ótimo caminho.

Com amor,

Regiane