O poder da vulnerabilidade


Como ficar contente em meio ao fracasso?

Primeiro quem disse que é fracasso? Certamente foi a mente egóica que fica dizendo um monte de regras e exigências para o sucesso.

Eu, assumida desastrada, me divirto com a minha capacidade absurda em causar desastres. Outro dia sai para jantar e próximo ao restaurante caí na calçada que estava com o cimento fresco. Caí não, mergulhe. Juro! Cimento fresquinho. Na hora que levantei estava embalsamada de cimento, dos pés a cabeça. Entrei em um acesso de riso. Nem consegui ficar brava pela falta de sinalização. Naquele momento não tinha algo tão imperfeito quanto aquilo!

Assumir o nosso lado imperfeito abre um espaço gigante dentro de nós para lidar com as adversidades com muito mais tranquilidade. Na verdade, a vida fica muito mais leve quando aceitamos os inevitáveis fracassos.

Somos falíveis e dai? O problema está em querer controlar um mundo que por natureza é incerto.

Ao nos permitir acessar a vulnerabilidade dentro de nós, podemos nos relacionar com o outro ser humano de maneira muito mais livre e divertida.

A vulnerabilidade nos permite criar conexões, revela a nossa igualdade e evidencia que ninguém é melhor que ninguém. 

A fantástica escritora e pesquisadora Brené Brow, escreveu o livro “A coragem de ser imperfeito”. Nesse estudo revelou que pessoas que demonstram senso de profundo merecimento em sentir amor e pertencimento, trazem consigo a coragem de ser imperfeitas. Pessoas com essa característica estão dispostas a serem quem são e abandonar quem não são. Esses indivíduos abraçam a sua vulnerabilidade e vivem bem com isso.

Desprovidos de certezas, as relações passam a ser mais leves e sem tanta obrigatoriedade. Como uma criança que simplesmente se entrega e brinca. Nada mais simples para uma criança ser imperfeita.

Estudar esse assunto me ajudou a resgatar a graça do meu jeito estabanada de ser. Por um tempo havia esquecido em me divertir com isso e queria me enquadrar em um molde. Já parei com essa besteira. O inevitável fracasso faz parte da vida e é exatamente nesses momentos que a diversão pode surgir.

Assumir nosso estado vulnerável permite que o riso venha fácil e quem sabe, por meio dele reconstruiremos nossas relações e a cura do nosso eu interior.

Tudo bem em sermos imperfeitos, não precisamos mais forçar a barra para aparentar uma imagem de doutores de algo. Eliminada a obrigatoriedade cruel, podemos nos permitir errar na frente dos outros sem grandes constrangimentos.

A comparação é nociva para a nossa sociedade. Todos, sem exceção queremos amor. Podemos começar a amar valorizamos a preciosidade que cada um carrega em si. Acolhendo o lindo ser que somos, únicos e incomparáveis.

Não mais fugir das nossas dores porque ao mesmo tempo em que nos anestesiamos dela, também ficamos anestesiados para sentir a alegria e o amor.

Deixo aqui o meu incentivo em valorizar o nosso lado pateta e divertido. O bom humor continua sendo um santo remédio para momentos difíceis.  Minha gratidão às crianças que nos ajudam a nos conectar com a nossa essência e nos relembra da nossa vulnerabilidade.

Que no dia das crianças possa se permitir ser você mesmo e trazer a tona a sua linda e incrível criança interior. Deixe-a brincar sem qualquer exigência. Seja feliz e nada mais.

 

Com amor,

Regiane