Desculpe o transtorno, preciso falar sobre fins


Desculpe o transtorno, preciso falar sobre fins!

 

Li a coluna do Gregório Duvivier na Folha de São Paulo de setembro que se chama “Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice” e também assisti ao filme que ele lançou: “Desculpe o transtorno”.

No artigo Gregório conta sobre o fim do seu namoro com Clarice enaltecendo a forma bonita pela qual se conheceram e a imensidão de vida que experienciaram nos anos que estiveram juntos na vida real. Para ele, gravar um filme romântico junto com a Clarice foi uma forma justa de documentar o amor que viveram.

Depois de publicar o texto na semana do lançamento da película, aconteceu um alvoroço de comentários dizendo que isso era estratégia de marketing.

De um lado pessoas jogando pedra achando bem piegas e malandra a atitude dele em escrever um texto da vida real, usando como pano de fundo a história romântica para promover o filme. Do outro lado, pessoas achando Gregório fofo e sincero por ter esse gesto de amor.

Eu gostei. Até acredito que foi marketing, mas que marketing legal foi esse, não? Sou super a favor de divulgar o trabalho e encontrar formas interessantes para impactar a vida das pessoas. Senti-me bem ao ler o artigo (aqui).

Acredito que muitas pessoas se sentiram identificadas com a forma suave de terminar a relação e constatar que o fim, na verdade, não acaba nada. O que foi vivido fica em algum lugar intacto.

Outro fato foi sobre as separações de William e Fátima, Angelina Jolie e Brad Pitt. Um amigo me perguntou: ainda dá para acreditar em casamento? Depende o que você acredita que é casamento - respondi a ele.

Eu acredito! Deixa eu dizer a minha visão.

Eu faço votos para que casais, quando se gostam e se proponham a viverem uma vida juntos, que eles envelheçam juntinhos (me julguem pelo romantismo). Que o cuidado, a brincadeira, o bem-estar, o respeito esteja junto na construção dessa vida compartilhada.

Sou a favor de buscar o que estiver a mão para fazer as lapidações necessárias. Agora, se um dos dois estiver se sacrificando por isso, não vale a pena. Quando a pessoa se agride em prol de qualquer relação já está fora de qualquer campo sustentável. Quando a pessoa abre mão dos seus próprios valores e bem-estar, a relação passa a ser irreparável.

Existe um consenso transmitido de geração para geração que, para uma relação ser boa, deveria durar para sempre, enquanto, na verdade, o relacionamento saudável é aquele que ajuda a florescer as potencialidades dos envolvidos e das pessoas que estão em volta.

As pessoas apegadas à ideia de que relacionamento bom é aquele que se eterniza muitas vezes ficam em um relacionamento desgastante com grande dificuldade de se libertar para seguir um outro caminho.

Eu mesma nunca soube lidar bem com fim de relacionamentos. Nunca foi fácil, mesmo tendo em vista isso que escrevi. Não acho nada “tranquilinho” assumir um fim, embora seja, em alguns casos, a melhor saída.

Acredito que ouvir nosso coração e ser fiel a ele é a forma mais honesta de nos relacionarmos, mesmo que para isso correremos riscos. Você só pode estar bem em uma relação quando está bem consigo, respeitando seu ritmo interno, aceitando o que pulsa dentro de si.

Não adianta querer se modificar para o outro gostar de você. Isso é negar a própria beleza.

A experiência de relaxar, não se obrigar a nada, não se forçar a sentir nada diferente daquilo que sente para mim é a expressão do amor. E o casamento precisa disso.

A conexão com o coração, ser honesto com o que sente independente das consequências e que isso, muitas vezes, escapa das convenções sociais.

Caso o casal escolha se separar, a vida que foi vivida não se apaga, os sentimentos vividos sempre estarão com cada um. A beleza ou desastre que foi a história com a pessoa continua fazendo parte do indivíduo.

Quem se separa não é leviano e não vê os relacionamentos como descartáveis - como muitos dizem. Muitas vezes é um guerreiro que fez o seu melhor até onde foi possível. Foi a pessoa que honrou a relação e não se acostuma com o sofrimento.

 

Vídeo: Desculpe o transtorno, preciso falar sobre fins

 

Com amor, Regiane

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